quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Mentecapitalismo


Um 2009 promissor e não esqueçamos que o mundo ainda explode.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A síndrome Lattes

Se você é universitário ou pós-graduando e vive aquela peculiar circunvizinhança, entenderá bem a informação abaixo. Se, por outro lado, você se encontra fora da realidade desse tipo de instituição conhecerá um pouco das doenças que ela pode causar em cidadãos comuns. Cidadãos comuns aqui são aqueles que até o 3º ano do ensino médio não têm praticamente nada na cabeça e, no processo de intelctualoidização, acabam como que se viciando em sentimentos putrefatos e costumes deletérios.

Pois bem, nos últimos tempos alguns estudantes universitários do Brasil têm sido tomados por uma nova espécie de doença crônica: a síndrome Lattes. Trata-se de uma psicopatologia de grau intenso que impele o adoentado a montar uma realidade paralela que, doravante, costuma chamar de Currículo Lattes. Neste espaço ele idealiza toda sorte de mentiras sobre si mesmo e busca incessantemente participar de eventos [por mais simplórios que sejam] buscando informações "novas" para acrescentar nesse suposto “currículo”. Depoimentos emocionados de alguns estudantes, que um dia já foram tomados por essa patologia e hoje encontram-se em clínicas de desintoxicação do Dr. Heineken, indicam que sempre que o sujeito atualiza seu currículo, seu corpo é tomado de sensações frenéticas. Essas sensações têm um caráter agudo e progressivo, ou seja, quanto mais o infeliz o atualiza mais a contingência por atualizá-lo aumenta.

Destarte, é comum encontrar indivíduos que depositam no seu currículo Lattes participações em feiras beneficentes, visitas à escolas em disciplinas de educação, ao escreverem uma simples carta à reitoria pedindo bolsa desejam publicá-la, um simples trabalho de graduação metem no currículo sem comprovação, adicionam espirros em SPBC’s, acreditam piamente que CONIC’s[1] são realmente eventos de validade, têm fé que PIBIC’s[2] são uma ocupação de verdade, ao organizar qualquer tipo de evento agridem colegas pedindo certificados[3]. Alguns clínicos afirmam que inclusive o PIBIC é uma espécie de sintoma-chave nessa espécie de esquizofrenia-paranoid, visto que compele o individuo a se auto-enganar a ponto de acreditar que está realmente ocupado com atividades respeitáveis.

Em momentos mais críticos dessa síndrome, o cidadão começa a se identificar ao seu Lattes e usa-o como defesa social.  - Quem é você? Você tem Lattes? Duvido que ele seja mais extenso que o meu! Quem você pensa que é que nem um artigo publicado tem? Urram as pessoas tomadas de assalto por essa doença. O Dr. Heineken acredita que essa patologia surge no momento em que um estudante, ao perceber que outro é extremamente bem sucedido na sua vida acadêmica, tenta desesperadamente imitá-lo e é essa atividade mimética que adoece o estudante mal sucedido. Os estudantes imitados, mesmo possuindo Lattes, não desenvolvem a doença por conseguirem separar a vida pessoal da vida acadêmica. Geralmente estes últimos são mais bem sucedidos nos seus campos de trabalho justamente pelo simples fato de não viverem em função do seu C. L.

Se você possui um filho na universidade e ele está inserido no mundo das pesquisas, fique atento para que ele não se vicie nessas sensações mórbidas: elas podem atingir graus máximos de intoxicação. Investigue os comportamentos do seu rebento em casa. Faça o seguinte teste. Observe-o com cuidado. Se ele passa horas na Plataforma Lattes buscando o currículo dos amigos, ri, ironiza e menospreza-os e considera o dos professores o hiperurano da formação acadêmica, eis um forte indício da síndrome. Se ele fala constantemente sobre o próprio Lattes dentro de casa se orgulhando daquela comunicação que ele apresentou em São Paulo ou no Rio Grande do Sul, tema por sua saúde. Se essa doença o acompanhar até o mestrado e doutorado, acredite, ele não possuirá mais nenhum traço de vida social, é isso mesmo, será um sociopata, se transmutará em uma pessoa extremamente pedante, esquecerá os amigos [que se transformarão em concorrentes], viverá falando de bolsas e viagens para congressos [cujos temas te dará vontade de rir], esquecerá a cerveja, os sorrisos, as roupas, o trivial e o leitmotiv mesmo da sua doença: as pesquisas.

[1] Congresso de Iniciação Científica
[2]
Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica
[3]
Certificados são drogas paralelas usadas pelos estudantes. Eles escondem em botijas. Acreditam que esses papéis são a verdade sobre si-mesmo.



domingo, 14 de dezembro de 2008

Heidegger para sertanejos

Passei um tempo da minha existência a carregar o Ser e tempo de Martin Heidegger, livro bastante conhecido dos alunos de filosofia e das madames da Livraria Cultura. Carregava-o debaixo do braço como um pastor carrega sua “bríba”, ou seja, uma espécie de livro de Verdades. Destarte, me locomovendo num desses coletivos da vida, um homem, que pelo belo sotaque era sertanejo¹, observou a capa do livro que estava no meu colo e questionou: - Ser e Tempo? Hum, tempo né? O que é o tempo, coisa difícil de explicar? O que diz esse livro sobre o tempo?
Parei alguns instantes e me impugnei:
- Como vou explicar o conceito de tempo [em Heidegger] para o amigo sertanejo que não leu tanto quanto os sabe-tudo da academia? Que elementos da sua realidade posso trazer à baila para facilitar o entendimento?
Eis que uma luz majestosa tomou conta do meu imaginário e prontamente o olhei e disse:
- Rapaz, para Heidegger o tempo é o tutano* da existência.
Inaugurava-se ali um tutorial “Heidegger para sertanejos.”

1 - Antes que os mais apressados me taxem de preconceituoso, não trato por sertanejo aqui alguém inculto, mas alguém Outro, de outras leituras.
*Tutano - Medula óssea. Em outros estados é o mesmo que ossobuco.



sábado, 13 de dezembro de 2008

Freud e o terrorismo [parte II]

Ora pois. Para fechar essa mini-série de jocosidades intelectualóides, exponho aqui o provável encontro do nosso herói metapsicológico com o ícone do apocalipse contemporâneo: Osama. Veja como Bin Laden tenta persuadir nosso querido vienense com a versão senso comum da psicanálise mas que, como se verá, não surte efeito algum.

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Tratamento de choque?



quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Freud e o terrorismo [parte I]

Em tempos de Cultura de Paz, como a psicanálise avaliaria o enérgico e combativo comportamento dos indivíduos que lutam em nome de Deus?

No divã, com Freud, seria mais ou menos assim:

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