terça-feira, 10 de novembro de 2009

Raridade

Título: Sistema de la filosofia : metafisica
Autor: Krause, Karl Christian Friedrich, 1781-1832; Sanz del Río, Julián, 1814-1869
Assunto: Metafísica
Publicado por: Madrid : M. Galiano
Ano: 1860
Língua: Espanhol
Patrocinador da digitalização: Brandeis University Libraries
Coleção: americana; blc
Clique aqui para baixar o texto.







sábado, 7 de novembro de 2009

Raridades

Está aberta a série raridades. É bem possível que antes de baixar o texto você questione a veracidade das informações dadas. Afinal, quem acredita que se pode postar um texto de 1600 já que todos eles se encontram enclausurados em bibiotecas nacionais e em compartimentos climatizados? Viva a microfilmagem! Pois bem, para provar que é possível, inauguro a série com a seguinte raridade:

Sêneca: Des bienfaits

Autor: Lucius Annaeus Seneca
Ano: 1660 (Leia os números romanos na capa!)
Língua: Francês
Patrocinador da digitalização: Google
Livro da coleção de: University of Michigan (interceptado em 1837)







quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Notícia: falece aos 100 anos Claude Lévi-Strauss



JB Online:

PARIS - - Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele. O mundo ainda não chegou ao fim, mas já sofre a perda de um dos mais respeitados pensadores do século XX, autor da frase citada. O antropólogo e filósofo francês Claude Lévi-Strauss faleceu na madrugada de sábado para domingo, na França, e deixou, além de obras essenciais para as ciências sociais - como “Tristes Trópicos”, “O cru e o cozido” e a série “Mitológicas”- ideias críticas ao etnocentrismo ocidental. Leia mais...

Folha on line:

O antropólogo Claude Lévi-Strauss, um dos intelectuais mais importantes do século 20, morreu no sábado passado aos 100 anos, informou hoje a editora Plon. Ele sofria de Mal de Parkinson.
Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura. Leia mais...
Il aurait eu 101 ans le 28 novembre prochain. Claude Lévi-Strauss, dont les travaux sont reconnus comme fondateurs pour l’anthropologie et l’ethnologie du XXe siècle, est décédé dans la nuit de samedi à dimanche. Il avait reçu tous les hommages à l’occasion de son centenaire, célébré en novembre 2008 au musée du quai Branly, à Paris. Leia mais...
Peu de savants se sont aventurés aussi loin que Claude Lévi-Strauss dans l'exploration des mécanismes cachés de la culture. Par des voies diverses et convergentes, il s'est efforcé de comprendre cette grande machine symbolique qui rassemble tous les plans de la vie humaine, de la famille aux croyances religieuses, des œuvres d'art aux manières de table. Le paradoxe des très grandes œuvres, celles qui sont vraiment décisives et novatrices, est de pouvoir se caractériser en peu de mots. Leia mais...




domingo, 4 de outubro de 2009

Filosofia x vida "real"


Tinha dito certa vez que a experiência são as alfinetadas que a vida nos dá sem técnicas de acupuntura. A experiência humana no mundo é singular em cada um de nós (o pleonasmo é proposital). Repete-se sempre no “todo mundo”, mas a faina da vida é singular para o sujeito que vive, não importa quantos homens já tenham sofrido primeiros traumas, realizado vestibulares e tido filhos, cada um que vivencia re-inaugura o primeiro passo eterno. A vida, esse enigma maior do que a própria morte, se apresenta a cada um com um peso específico. Não sei se existe uma insustentável leveza do ser. Talvez existir seja ser carga para si mesmo, mas sem o Outro é fardo é inassumível, não há sujeito só. A consciência da qual nos “fala” a filosofia, se situa num movimento pleno, de alguém com mais de 18 anos, saudável, branco, europeu. O sujeito transcendental não conhece uma chupeta, tem, em ultima análise, uma experiência de um objeto feito de plástico. A consciência é carne e sem ela o Ser não é real, é apenas invencionice metafísica, essa “vingança contra o tempo”. O sujeito filosófico não tem uma dor de dente plena. O sujeito da filosofia é viril, assume tudo, tudo ilumina, tudo antecipa, tudo pré-compreende. A fenomenologia não passa de mais um antropocentrismo travestido de humildade epistemológica.

A filosofia não entende os problemas e ocupações mais simples. No máximo as taxa de inautenticidade. Contas a pagar, fraldas a comprar, unhas a cortar, presente de quinze anos a escolher são ocupações que subtraem o homem do seu si-mesmo. Non!







segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Utilidade muito pública

Você conhece o projeto INACAYAL? Não? Pois bem, aqui vos apresento.


PROYECTO INACAYAL: SOCIALIZAR saberes, para DEMOCRATIZAR sociedades
.



LIBROS
de CIENCIAS SOCIALES, FILOSOFIA y LITERATURA
Un Sitio de "SABERES"

São mais de 1.000 excelentes livros. Alguns dentre estes são difíceis ou dificílimos de achar ou muito caros em livrarias. O triste é saber que é tudo totalmente grátis.

Obs: Os textos na esmagadora maioria estão em espanhol;

Boa leitura.





A propósito: você conhece o Taringa?


sábado, 12 de setembro de 2009

Filosofia Hype [ironic mode on]

Desde que a 11.684 foi aprovada, a vida dos filósofos começa a se tornar extremamente pública, importante, requisitada e glamorosa: uma festa [Ironic]. A glória contra as demoníacas ciências desumanizantes, inúteis e regressivas. Só a filosofia é um modus de pensar que permite ao homem ser autêntico [Ainda ironic] Está tudo certo, maravilhas de organização. Não, os filósofos não são prepotentes, nem românticos: a ciência é que peca, erra, é limitada. Não! O idealismo não é uma invencionice! A realidade é que é ilusória.

Imagine só ilustre amigo leitor, que até terapeutas [sic] já podemos ser. Não sabia? Leia sobre a Filo$ofia Clícina e as polêmicas suscitadas até então. O fato é que famosos agora buscam na filosofia seja lá o quê. O ilustre Marcos Mion é um dos vultos importantes que figuram os filósofos nacionais, vê-se claramente a filosofia sendo o instrumento de seu trabalho [Tá, é um fake da vida]. Adriane Galisteu há pouco defendeu sua tese em Husserl, chique! [Tá, é um Fake da Piauí.] E fico feliz em saber que durante a formatura de Sandy&Junior [1] (letras), Cláudia Abreu roubou a cena e se formou em filosofia! Gente, Malu Mader estava lá, Vladimir Brichta também! Jesus, agora somos hypes! Viva! Estamos incluídos! A área de humanas está em pleno renascimento cultural! Mais bolsas? Mais pesquisas? Mais seriedade? Chega de pensamento pensado e vamos ao pensamento pensante? Super salários?



Após sete anos de estudos, a atriz Claudia Abreu formou-se em Filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC), na Gávea, zona sul da cidade. Durante a cerimônia, no sábado 24, Claudia fez festa para a platéia ao receber o diploma das mãos do corpo docente. O marido da atriz, José Henrique Fonseca, e a filha mais velha, Maria - de quem a atriz estava grávida quando começou a faculdade - aplaudiram orgulhosos [...] Claudia, que se diz viciada em estudos, já planeja fazer o curso de pós-graduação em Filosofia da Arte. "Sou o material de trabalho de mim mesma", afirma. A atriz também declarou recentemente que pretende usar a Filosofia para enriquecer ainda mais os seus personagens, mas que não pretende tornar-se filósofa. Leia mais...

A felicidade toma conta do ser filósofo no Brasil. Até bem pouco tempo atrás as graduações em filosofia eram estigmatizadas por serem de uma indigência triste. Toda sorte de categorias apontadas na sociedade como improdutivas estavam à frente: punks, metaleiros, hippies, indecisos, suicidas, depressivos, esquizóides, pessoas com atitudes paranóicas, desocupados, aposentados, entre outros, eram a essência do corpus filosófico universitário. Estamos passando por uma melhoria social! Atores, atrizes, delegados, advogados, médicos, filhitos de papai e gente altamente importante na praça começa a chegar. Anonimato? C’est fini. Produção filosófica a mais de mil por hora, totalmente inédita.

[1] Isso mesmo, Sandy&Junior é uma só entidade. Por isso não é difícil ouvir coisas como: “Sandy&Junior está de namorado novo.”




quarta-feira, 3 de junho de 2009

Anedota filosófica

Baseado em fatos reais (e totalmente piada interna. Se você for estudante de filosofia entenderá instantaneamente):

Há poucos anos atrás estava o interlocutor que vos perturba numa aula de um renomado professor da Universidade Federal de ********* tratando de certos pensadores contemporâneos. Como é inevitável, falar dos antigos é regra. Num determinado momento a conversa vai bater láááá nos pré-socráticos, os famosos pensadores originários, quinhentos anos antes de papai do céu nascer. Papo vai, papo vem, arkhé... raízes... homeomerías... E Nietzsche já falou sobre, Hegel dissertou, Heidegger sabe tudo, é ousia em Aristóteles como conseqüência, ápeiron... átomo... mudança... permanência e todo o pacote dos originários estava flamejantemente à baila. Na verdade, quem nunca ouviu falar de Heráclito, né? Eis que um ser humano levanta uma das mãos e questiona decisivamente:

- Professor, por que os pré-socráticos só filosofavam por fragmentos?

O maestro em questão deu um leve tapa na testa e, sem falar nada, continuou as preleções. Pensei eu:

- Deve ser uma questão arqueológica, né?

;D~~~~





quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vidas se encontram, vidas se separam.

Todas as coisas e eventos são finitos, não é novidade. Segundo o imortal Ἐμπεδοκλῆς, o amor une e o ódio separa. Seja a vida à morte, as pessoas, os animais, os partidos políticos, as religiões, os planetas e tudo aquilo que precisa-se. Amor e ódio não são apenas estados afectivos, são necessidades ontológicas. Todavia, experimentar o fim e suas conseqüências não é lá nada de tão fácil como nas fórmulas lógicas. Lógico que enquanto duram, as coisas "não acabam". Viva a sensação de eternidade! É triste, mas o sorriso da sua mãe um dia acaba, o amigo escolhe a Argentina, toda espera tem termo, a cerveja termina e a conta está cara, aquela obturação feita há uma década cai, a música que te dá comprazimento estético dura em média cinco minutos, a dor - por mais aguda que seja - passa. A vontade, seja lá qual for o objeto, quando satisfeita, finda e recomeça. O Parthenon um dia vai cair assim como o eterno império romano caiu. A terra que sempre foi o centro do universo levou uma patada tripla com Copérnico, Kepler e – finalmente - com Galileu e uma revolução (que já passou) foi realizada. E, em suma, alguém que te oferece vida - vida viva, que dorme, acorda e toma todinho na escola - pede pra sair e você quer que saia. Não há repouso. Vida estática só existe na não-vida. Em Pernambuco se diz: "se não agüenta, pra que veio?" Passado (pré), presente (já) e futuro (pró) representam uma imagem semimorta que só fazem sentido na cabeça de um ser finito. Fora dessa agitação insana da matéria nada precisa fazer sentido. Viver uma vida cujas possibilidades estão sempre em aparecências rapidamente finitas (obrigando o sujeito a mudar de posturas e opções de maneira veloz e, com a mesma celeridade, passar por angustias ônticas) pode conspurcar as percepções, os gostos, as vontades, as lágrimas e mesmo assim, amar a vida não é traição. Nem a p**** da biologia explica bem o que é a vida, assim como os físicos acreditam piamente possuir um conceito razoável para a matéria. Vida? Paradigma individual. O ser humano não é um um ser meramente biológico, é um animal biográfico. Viver? Respirar o ar de algumas pontes, dar amor a gente azulada, beber líquidos coloridos, pensar que está pensado, vagar pedagogicamente, chafurdar monetariamente, oferecer pílulas filosóficas, viver de perto um carnaval, um filho que cresce, escolher a escolha, nem sempre entender, entender o não-sempre, ver a idade passar, “abrir os braços pra guardar”, achar engraçado como há pessoas que nasceram em 1990, acreditar num tempo pendular e sofrer com as lancinantes e intermitentes mudanças, tudo isso junto, só pode fazer um filho da p*** viver de maneira existencialóide. Preze por seu habitat amigo leitor. Suportar, sugar o tutano da existência e sentir que se pode ser si-mesmo uma vez na vida é tarefa difícil, é faina de doido. Existir é entrar num rio cujo final é inevitavelmente uma cachoeira de 1.000 metros de altura: sem dúvida se despencará, mas se você tiver remos para manobrar nas partes mais lodosas evitarás que a caminhada acabe antes do tempo numa colisão de frente com uma pedra, um tronco ou num encontro com diversos predadores. E, sabendo remar sozinho, se conhecerão caminhos mais autênticos, mesmo que não sejam os mais cômodos e os que todos aqueles que não possuem remos seguem de maneira inadvertida e guiados por todos e por ninguém. Aprenda a dizer Adeus e a sentir que existir é ser carga para si mesmo ilustre amigo. Entretanto, aprendamos ainda mais que a vida é muito mais simples do que se pode intuir. Sorrir, trepar, comer, beber e olhar nos olhos das pessoas na rua: faça esse exercício. Aprender a dizer adeus não é gostar de dizê-lo.