domingo, 4 de outubro de 2009

Filosofia x vida "real"


Tinha dito certa vez que a experiência são as alfinetadas que a vida nos dá sem técnicas de acupuntura. A experiência humana no mundo é singular em cada um de nós (o pleonasmo é proposital). Repete-se sempre no “todo mundo”, mas a faina da vida é singular para o sujeito que vive, não importa quantos homens já tenham sofrido primeiros traumas, realizado vestibulares e tido filhos, cada um que vivencia re-inaugura o primeiro passo eterno. A vida, esse enigma maior do que a própria morte, se apresenta a cada um com um peso específico. Não sei se existe uma insustentável leveza do ser. Talvez existir seja ser carga para si mesmo, mas sem o Outro é fardo é inassumível, não há sujeito só. A consciência da qual nos “fala” a filosofia, se situa num movimento pleno, de alguém com mais de 18 anos, saudável, branco, europeu. O sujeito transcendental não conhece uma chupeta, tem, em ultima análise, uma experiência de um objeto feito de plástico. A consciência é carne e sem ela o Ser não é real, é apenas invencionice metafísica, essa “vingança contra o tempo”. O sujeito filosófico não tem uma dor de dente plena. O sujeito da filosofia é viril, assume tudo, tudo ilumina, tudo antecipa, tudo pré-compreende. A fenomenologia não passa de mais um antropocentrismo travestido de humildade epistemológica.

A filosofia não entende os problemas e ocupações mais simples. No máximo as taxa de inautenticidade. Contas a pagar, fraldas a comprar, unhas a cortar, presente de quinze anos a escolher são ocupações que subtraem o homem do seu si-mesmo. Non!