terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Nietzsche ou Muaitai das palavras (1)


O que é uma palavra? Pergunte a Nietzsche e obtenha como resposta a sensação de estar assistindo um lutador de Muaitai aplicando um golpe agudo e potente. Nietzsche é porrada filosófica, agressão antimetafísica, uma bifa intelectual, saraivada de realismo, agressão histórica, voadora da suspeita.

O que é uma palavra? A reprodução de um estímulo nervoso em sons. Mas deduzir do estímulo nervoso uma causa fora de nós já é o resultado de uma aplicação falsa e injustificada do princípio de razão. Como poderíamos, caso tão-somente a verdade fosse decisiva na gênese da linguagem, caso apenas o ponto de vista da certeza fosse algo decisório nas designações, como poderíamos nós, não obstante, dizer: a pedra é dura; como se esse 'dura' ainda nos fosse conhecido de alguma outra maneira e não só como um estímulo totalmente subjetivo! Seccionamos as coisas de acordo com gêneros, designamos a árvore como feminina e o vegetal como masculino: mas que transposições arbitrárias! Quão longe voamos para além do cânone da certeza! Falamos sobre uma serpente: a designação não tange senão o ato de serpentear e, portanto, poderia servir também ao verme. Mas que demarcações arbitrárias, que preferências unilaterais, ora por esta, ora por aquela propriedade de uma dada coisa! Dispostas lado a lado as diferentes línguas que, nas palavras, o que conta nunca é a verdade, jamais uma expressão adequada: pois, do contrário, não haveriam tantas línguas. A 'coisa em si' (ela seria precisamente a pura verdade sem quaisquer conseqüências) também é, para o criador da linguagem, algo totalmente inapreensível e pelo qual nem de longe vale a pena esforçar-se.

Fonte:

Nietzsche, F. Sobre Verdade e Mentira. São Paulo: Hedra, 2008. p. 31.



domingo, 21 de fevereiro de 2010

Hereges ou analíticos?

Eu nasci em 1984, ano emblemático do famosíssimo livro de George Orwell. Do ano em que nasci até completar 12 anos já notara que a religiosidade no mundo não era nem de perto aquela que aprendera nos livros de História ou em práticas diárias como as da minha avó. Sentia que a igreja que me rodeava já não possuía tantos fiéis e que de fato não conseguia mais conquistá-los ou não tinha mais meios. Mesmo assim, presenciei muito dela, participei e de fato vi pessoas serem melhores estando dentro da religiosidade autêntica. Impressionei-me diversas vezes com o poder simbólico do sagrado e fui afetado por um sem números de inquietações metafísicas oriundas da grande igreja do mundo. Em suma, mesmo sendo alguém que atingiu certo auge de idade nos anos 90, tive alguma vivência religiosa e não nego e nunca negarei a grande importância disso na minha vida. Lógico que logo naquela época sentia a fragilidade dos ideais cristãos na fala e nas idéias de amigos, dos pais deles, do motorista de ônibus, do político safado que conheci, do padeiro, do médico, etc. Perguntava-me onde iríamos parar. E a resposta me vem hoje com essa gurizada anos 2000. Por deus que estou longe de qualquer proselitismo e de qualquer julgamento moral ou religioso! Mas, essa pequena turma está herege demais!!! Alias, perdão, andam demasiadamente analíticos. Enfim, veja a imagem abaixo e tire as próprias conclusões.





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Acerca da não-resposta

A indiferença nos machuca, faz-nos sentir ignorados. Mas ao menos a indiferença carrega consigo um “rosto”, é uma postura, pode-se ver e sentir, em suma, nos é endereçado. A ausência de resposta por sua vez é algo de muito mais angustiante na medida em que não oferece um rosto, alguém que se possa encarar, tentar quebrar o gelo, forçar diálogo ou interpretação. A indiferença dá-nos terreno de ação, mesmo que árido. A não-reposta nos priva de qualquer ação razoável. Por exemplo, quando se envia uma mensagem de caráter sentimental, que tenta reatar um relacionamento que se distanciou por motivo de viagem e espera-se fortemente a resposta, se não há retorno, ou melhor, quando a não-resposta se “mostra”, sente-se forte agonia. Terá o amante esquecido? Terá amado outrem? Não recebeu? Recebeu e não desejou responder? O que dizer da situação de se ter um ente querido desaparecido e por anos não conseguir resposta alguma sobre o seu paradeiro? Nada saber é infinitamente pior em termos de angústia e da espera sufocante à uma notícia trágica: tem-se ao menos uma resposta, algo positivo, algo com que se afetar.

Assim é com a morte, essa eterna não-resposta, enigma a decifrar que ofereceu um sem número de interpretações possíveis ao ser humano: vida após a morte, aniquilação, transmigração da alma, expiação dos vícios humanos, momento de encontro com Deus ou com o Diabo, o simples espraiar dos átomos, etc. Se o morrer não fosse um problema metafísico indissolúvel, o suicídio nem seria um escândalo existencialista.




terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Raridade

Título: Campanha abolicionista no Recife : eleições de 1884 : discursos (1885)
Autor: Joaquim Nabuco
Assunto: escravidão
Publicado por: Rio de Janeiro: G. Leuzinger
Ano: 1885
Língua: Português
Patrocinador da digitalização: Universidade de Toronto
Coleção: Toronto
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