domingo, 30 de janeiro de 2011

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Original aqui



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Todos os cachorros são azuis

Como eu costumo dizer, as teorias são faíscas na verdade do Ser. Não o conhecia, mas ao ler Rodrigo de Souza Leão, essa máxima se ampliou decisivamente em meu espírito. Souza Leão, exímio escritor, sofria de um alto grau de esquizofrenia. Para alguns, um empecilho dos grandes para produzir qualquer coisa. Para Rodrigo, motivo para escrever e expor seu próprio ser. E o que as teorias têm a ver com isso? Lê-se muito sobre esquizofrenia em sua face clínica. Mas a escrita de um esquizofrênico, quando tornada obra, é um terreno de entendimento infinitamente fecundo para buscar esclarecimentos mais lúcidos e honestos desse símbolo sagrado da psquiatria. Para além de suas eventuais dificuldades, ler esse livro é um prazer sem medida e ao mesmo tempo impactante. Eu indico.




terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Enchentes no Rio de Janeiro e Alexandre Garcia

Enchentes no interior do Rio de Janeiro. Estamos todos emocionados, autenticamente. Evento catastrófico explorado pusilanimemente pela afundação Roberto Marinho. Centenas de mortes reais filmadas em HD, tecnologia exclusiva da Globo. Tanto utilizada para mostrar resgates emocionados, quanto para noticiar replays de golaços internacionais em slow motion. Vidas inteiras arrasadas. Tudo narrado de maneira muito emocionada e lutuosa por Alexandre Garcia. Óbvio, que logo após tem o gol de cobertura de Neymar, na seleção sub-20, contra o Paraguai. Golaço! Por cobertura. Um prodígio esse menino. É o melhor atacante do Brasil. Em seguida, Miriam leitão, a urubóloga, vocifera opiniões abalizadas. Ela sabe tudo sobre enchentes, vinhos italianos, economia e tricô. Ronaldinho Gaúcho, decadente, é do Flamengo. A hipocrisia é realmente o principal sustentáculo da moralidade. Fico pensando que até papai do céu é um ser de interesses midiáticos. Deus intercede mais às vítimas das enchentes no Rio, ao passo que tem observado pouco seus filhotes humanos que também existem em outros estados do Brasil. Alguém lembra de Palmares, Pernambuco? Uma cidade inteira que quase foi varrida do mapa ano passado. Mas o Cristo Redentor não fica em Palmares. As olimpíadas não serão em Palmares. E a principal cidade da copa de 2014 não será Palmares. Até hoje as pessoas vivem em barracas em Palmares, Pernambuco. E Deus? É carioca. A globo? Localiza-se no Rio. E agora? Logo mais fica tudo globeleza!


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sábado, 15 de janeiro de 2011

"Aqui Jaez"



Todos nós nascemos infectados com a doença da sinceridade. Durante a infância, a enfermidade perdura o tempo necessário, até que a coletividade não suporte mais. A tal cura vem com o tempo, através de doses homeopáticas de hipocrisia e injeções cavalares de mentiras descaradas ministradas por todos os setores institucionais (ou não) da sociedade. In-felizmente, há humanos que não conseguem a cura para esse defeito irreparável e continuam com alto grau de sinceridade durante toda a vida. Conheci um desses adoentados há uns anos atrás. O contato muito próximo acabou por me contagiar. Creio ser incurável. Pode-se apenas dissimular os sintomas. O doente em questão é Henrique Viana Brandão, amigo e poeta pernambucano. A biografia dele pouco importa aqui. É apenas alguém sobre o qual vale a pena escrever. Minuto aqui simplesmente para divulgar seu livro, Aqui Jaez, publicado desde novembro do ano passado. Sua obra, sem dúvidas, está repleta de traços dramáticos de sua doença. Parabéns a Editora Livrinho de Papel Finíssimo, pela fortuna de publicar "versos, poesisas e outras falácias" desse ilustre deletério.


Obs: Jaez, segundo o aurélio, significa: (ê) S.m. 1. Aparelho e adorno para bestas. 2. Fig. Qualidade, espécie, sorte, laia. Trocadilho que só lendo o livro é possível compreender. Esse é o livro nº 2 da coleção Líteratara. Para Henrique, melhor lugar não há.

Um aperitivo? Voilà!

Motor de Puta

Belezas de brancura firme
Curvas de circular sedução
Sexo de orgasmo farto
Fisiologia hormonal de caminhão

Pênis e vulva bem juntos
Máquina lubrificada a mão
Entrelaçados, como se faz ao junco,
Seguindo o ritmo da respiração

Com os corpos de suor untados
Fizemos tudo, até sentados
Brindamos à perversão sadia

Unindo línguas em nossas bocas
Meu pau cospe tuas coxas
E te transformas em minha vadia



quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Debate: A máscara do preconceito tupiniquim


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Se você estiver em Recife no dia 11 de Janeiro, sinta-se convidad@ a participar do debate aberto que estou organizando. A temática versa sobre o trânsito do preconceito entre nós brasileiros.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Nunca seja irônico [/ironic]


Sócrates foi condenado à morte, entre outras coisas, por ser irônico. Ironizava a ordem vigente na Grécia de seu tempo. Ironizava a maneira peculiar pela qual o homem se agrupa em rebanhos inadvertidos. Ironizava a forma engraçada das pompas funerárias. Ironizava o modus político. Ironizava o mercenarismo intelectual. Ironizava as desnecessárias festas religiosas. Em suma, incomodava. Foi um agente da verdade. Como eu costumo dizer, a verdade sempre foi uma hospede malquista. Todavia, sempre a melhor visita já que quando acorda em sua casa arruma a cama, lava os pratos e sai as 6:00 da manhã. Quantas pessoas não têm pequenas mortes na vida por causa da ironia? Onde há poder centralizador, a ironia não é bem vinda. Entre governantes, treinadores, líderes comunitários, religiosos, donos de escolas. A ironia revela a acuidade da crítica. Corre-se o risco de ser acusado de irônico! Triste notar que o significado da palavra ironia tenho sido mergulhado numa pejoração tão burlesca. Ironia não é bazófia, nem galhofa. Não é apenas um contraste fortuito que parece um escárnio. Aprendi com um mestre, muito antigo, que é a maneira ocidental de desmascarar a inautenticidade de certos discursos inventivos, cínicos e fingidos. Discursos edificantes de políticos, religiosos e educadores. Tenhamos medo de certas filosofias da educação. Frustração travestida de messianismo. Não vale a pena educar quem não quer ser educado. A educação não é uma panacéia, é uma questão de pré-disposição. Quando observo indivíduos mais velhos desejando a volta da educação escolástica, consigo compreender ainda que não concorde. Mas o discurso deles é de uma educação rígida e sem os arrudeios das pseudo-teorias. Nesse tipo de postura, parecem sempre sair os ofícios e as decisões. Ou quer ou não quer. Ou vira intelectual ou vai trabalhar. Não há excessos, nem artificialidades. Quer perder o emprego, diminuir o salário, gerar greve sexual n@ parceir@, ser mal visto, não ser selecionado, se tornar impopular, ouvir um "não vamos continuar nosso trabalho", não jogar pelada com os colegas, não pagarem cerveja para você, não receber abraço de ano novo, não ganhar roupa nova? Seja irônico. É por isso que nunca sou irônico. A única vez que fui, condenaram-me à morte. Nunca seja irônico.