quarta-feira, 30 de março de 2011

Mudança do endereço do blog, por quê?


O atual endereço www.heideggerianices.blogspot.com será alterado definitivamente em 72 horas para: 

www.existencialoide.com


Primeiro que um domínio ".com" ajuda bastante. Segundo por que estamos ativos há pouco mais de quatro anos e  o verbete heideggerianices não corresponde mais às intenções atuais do blog. Esse espaço foi criado para despejar situações e sentimentos clichês e existencialistas do escritor que vos fala. Era para ser apenas um ano existencialóide, mas a minha vida ainda se move de maneira deveras existencialóide. Acho que atingirei fácil .:Uma década existencialóide:. Se esse espaço era usado inicialmente para divulgar, chacotear ou apenas expor a figura do pensador da Floresta Negra, Martin Heidegger - que não é de maneira nenhuma um filósofo existencialista - o blog, doravante, se engajou em divulgar a minha própria concepção do que “é” a filosofia, das suas interfaces com as coisas mais simples do cotidiano, para divulgar meus aforismos e explorar o que pode oferecer a filosofia para além da academia e dentro dela. Desta maneira, o .:Um ano Existencialóide:. navegará ainda mais no terreno da filosofia, da antifilosofia e da opinião. Se você segue esse blog, favor alterar o links de divulgação. Os leitores que assinam este blog serão direcionados automaticamente para o novo endereço.

Agradeço,

Raphael Douglas.



terça-feira, 22 de março de 2011

Recordar é viver. Filosofia em popularização.

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Recordar é viver. Postagem de agosto de 2008. O que é menos provável? Adriane Galisteu em doutoramento ou Calheiros escrevendo livro sobre ética?




sexta-feira, 11 de março de 2011

Filosofia e prostituição



Muito recentemente, visitei um espaço onde o escritor local acusava a filosofia de comportar-se como uma meretriz, ou seja, apontava a filosofia como sendo uma puta. Assim, por definição e – naturalmente – por filiação, todo o séquito de filósofos da história, seria um bando de “filhos da puta”.
É um absurdo Interessante. Se pudéssemos desdobrar esse pensamento, poderíamos afirmar que a filosofia é a puta que pariu toda a tradição do pensamento ocidental. E o escritor continua,
Mas, como a filosofia seria filosofia se não fosse puta, se fosse totalmente pudica, recatada e intocada?
Neste ponto estou de acordo.
Não só estou de acordo, como me recordo imediatamente de um texto que li em tempos bastante juvenis. Emil Cioran, pensador que venho usando e abusando desde que tive o prazer iluminador de entrar em contato, tem uma ideia extremamente adequada ao que arquitetamos agora. Vê-se que filosofia e prostituição têm uma ligação notocordal. São irmãs separadas ainda no berçário.
Só estou em desacordo em um ponto do que diz o dono daquele blog. Acredito que apenas os filósofos da tradição idealista deveriam ser contabilizados ao cortejo de pensadores oriundos dos ventres das moças que compõem o SINDIPROST.
Diógenes de Sínope, o filósofo “cão”, pai da Escola Cínica, abraçaria pelvicamente minha ideia. Na antiguidade clássica, não só ele. De Leucipo a Anaxarco, de Demócrito a Hiparco, de Antífon a Arístipo, de Filebo a Pródico, de Epicuro a Lucrécio e, para além dos tempos antigos, todo e qualquer pensador que acredita piamente que o corpo é o verdadeiro regime ontológico.
Antes do apagar das luzes, não esqueçamos que Bruna Surfistinha, reconhecida escritora e roteiro vivo de cinema, já é considerada uma pensadora brasileira. Exagero? Se Paulo Coelho figura na Academia Brasileira de Letras, por que não incluir a Surfistinha no campo da crítica da razão tupiniquim? É preferível não continuar essa tese. Se alguém desejar, podemos discuti-la. Acompanhemos Cioran.
O filósofo, desiludido dos sistemas e das superstições, mais ainda perseverante nos caminhos do mundo, deveria imitar o pirronismo de trottoir que exibe a criatura menos dogmática: a prostituta. Desprendida de tudo e aberta a tudo; esposando o humor e as idéias do cliente; mudando de tom e de rosto em cada ocasião; disposta ser triste ou alegre, permanecendo indiferente; prodigando os suspiros por interesse comercial; lançando sobre os esforços do seu vizinho sobreposto e sincero um olhar lúcido e falso, ela propõe ao espírito um modelo de comportamento que rivaliza com o dos sábios. Não ter convicções a respeito dos homens e de si mesmo: tal é o elevado ensinamento da prostituição, academia ambulante de lucidez, à margem da sociedade como a filosofia. “Tudo o que sei aprendi na escola das putas”, deveria exclamar o pensador que aceita tudo e recusa tudo, quando, a exemplo delas, especializou-se no sorriso cansado, quando os homens são, para ele, apenas clientes, e as calçadas do mundo o mercado onde vende sua amargura como suas companheiras seu corpo.