sábado, 30 de abril de 2011

O que aconteceria... (1)

Você que é da área de humanas me entendeu, han?



Nietzsche ou Muaitai das palavras (2)

A série continua!

O que é um educador? Pergunte a Nietzsche e obtenha como resposta a sensação de estar assistindo um lutador de Muaitai aplicando um golpe agudo e potente. Nietzsche é porrada filosófica, agressão antimetafísica, uma bifa intelectual, saraivada de realismo, agressão histórica, voadora da suspeita.  
De fato, teu verdadeiro ser não está oculto no mais profundo de ti; está colocado infinitamente acima de ti, pelo menos acima daquilo que tomas comumente como teu eu. Teus verdadeiros educadores, aqueles que vão te formar, vão te revelar aquilo que realmente é o sentido original e a substância fundamental do teu ser, aquilo que resiste a toda educação como a toda formação e, em todo caso, uma realidade dificilmente acessível, um feixe amarrado e rígido; teus educadores nada podem fazer por ti, a não ser tornar-se teus libertadores. E esse é o segredo de toda formação; ela não consiste em nos dar membros artificiais, narizes de cera, olhos com antolhos; muito pelo contrário, se ela pudesse nos dar semelhantes presentes, não passaria de um simulacro de educação; mas ela é libertação, extirpação das ervas daninhas, dos escombros, da praga que quer se alimentar dos novos brotos das plantas.
Encontre a passagem e leia mais em:

Ou leia AQUI um artigo a respeito.




sexta-feira, 29 de abril de 2011

Placas des-motivacionais (9)




.:A idade da razão:. A (im)possibilidade do ensino de filosofia no Ensino Médio? (2)


Filosofia na escola? Inútil e violento ou produtivo e necessário? Continuemos a série. 


A idéia central desse momento é tentar demonstrar, através de passagens de grandes filósofos, que há certa incongruência em veicular filosofia entre os jovens, já que neles não há o pré-requisito da experiência.


Convocaremos os seguintes filósofos para manter uma conversação: Platão, Aristóteles, Santo Anselmo, Erasmo de Rotterdam, John Locke, Kant, Hegel, Heidegger e, como provocação, uma interessante e intensa passagem do pensador brasileiro, Olavo de Carvalho.


"Vocês praticam a filosofia com jovens sem experiência." 
(Nietzsche)

Você ainda não tem 50 anos? Get lost!

Comecemos pelo divino Platão (428/427 – 348/347 a.C). A educação para esse filósofo deveria começar aos sete anos e só aos trinta, depois de experienciados os esportes, danças, música, leituras, escrita, cálculos, educação militar. De forma intelectualmente aristocrática, os jovens que demonstrassem capacidade, deveriam continuar a formação no terreno da dialética. O objetivo era formar governantes que possuíssem como principal predicado a filosofia e esses seriam em número bastante reduzido. Entrar para a vida pública requeria que indivíduo que completasse cinqüenta anos devido à posse de experiência suficiente para tal já que se formou à luz da dialética. Podemos ir até a República onde Platão, fazendo Sócrates dialogar com Gláucon, diz:


- Suponhamos pois, que o estudo da dialética tome o lugar da ginástica e seja cultivado de maneira assídua, diligente e com exclusão de qualquer outra coisa, durante um número de anos duplo do que se prescreveu para os exercícios corporais:


- achas que isso seria suficiente?


-Dizes quatro ou seis anos? – perguntou ele.


- Deixa lá – respondi – ponhamos cinco. Depois disso terão eles de baixar novamente à caverna e serão obrigados a exercer os cargos atinentes à guerra e todos mais que sejam próprios de jovens, para que tampouco no que tange à experiência fiquem atrás dos outros. E também esses cargos serão postos à prova para ver se se manterão firmes ou fraquejarão em face das tentações que procuram arrastá-los em todos os sentidos.


- E quanto tempo durará essa fase da sua vida?


- Quinze anos; e quando chegarem a qüinquagenários, os sobreviventes que se houverem distinguido em todos os atos de sua vida e em todos os ramos de conhecimento serão levados à consumação final, pois é preciso obrigá-los a alçar os olhos da alma e contemplar de frente o que proporciona luz à todos; e quando tiverem visto o bem em si, o adotarão como modelo durante o resto da sua existência em que governarão, cada qual por seu turno, tanto à cidade e aos particulares como a si mesmos; pois, embora dediquem a maior parte de seu tempo à Filosofia, terão de carregar aos ombros, quando chegue a sua vez, o peso dos assuntos públicos e governar um depois do outro para o bem da cidade, não como quem realizasse alguma tarefa honrosa mas simplesmente por iniludível dever.[2]



Aê ô moleque! Vai crescer, depois tu volta.

           
É, amigo. Não tenho nem trinta anos ainda, como posso dizer que sou filósofo? Mas tudo bem, sigamos. Testemunhadas as clarificadoras considerações platônicas, passemos então ao pai das ciências. Em Aristóteles (384 – 322 a.C.), esse tipo de questionamento é expresso visivelmente na sua Ética a Nicômaco. A ética é um dos principais “objetos” de estudo da filosofia e, segundo o filósofo, ela se destina aos homens experientes com idade suficiente para discernir e ponderar suas ações, já que desejam e agem de acordo com um principio racional: o conhecimento. Aristóteles propõe que os jovens não possuem sabedoria prática visto que não têm experiência dos fatos da vida. E já que eles tendem a seguir suas paixões á sua razão, o estudo da ética será vão e infértil, pois o fim que têm em vista não é o conhecimento, mas sim a ação.


O conhecimento prático diz respeito não só aos universais, mas também aos particulares que se tornam conhecidos pela experiência. Um jovem carece de experiência, que apenas o tempo pode dar. Seguindo a interpretação da teoria da dynamis (potência) e da enérgeia (ato), o jovem é um adulto em potência e a experiência irá atualizá-lo. Um ser ainda em potência só pode ser atualizado por meio de um ser já em ato, no caso, um educador.


Ora, cada qual julga bem as coisas que conhece, e dessas coisas é ele bom juiz. Assim, o homem que foi instruído a respeito de um assunto é bom juiz nesse assunto, e o homem que recebeu instrução sobre todas as coisas é bom juiz em geral. Por isso, um jovem não é bom ouvinte de preleções sobre ciência política. Com efeito ele não tem experiência dos fatos da vida, e é em torno desses que giram nossas discussões; além disso, como tende a seguir suas paixões, tal estudo lhe será vão e improfícuo, pois o fim que se tem em vista não é o conhecimento, mas a ação. E não faz diferença que seja jovem em anos ou no caráter; o defeito não depende da idade, mas do modo de viver e de seguir um após o outro cada objetivo que lhe depara a paixão. A tais pessoas, como aos incontinentes, a ciência não traz proveito algum; mas aos que desejam e agem de acordo com um princípio racional o conhecimento. desses fará grande vantagem. Sirvam, pois, de prefácio estas observações sobre o estudante, a espécie de tratamento a ser esperado e o propósito da investigação.[3]



O conhecimento divino, que subordina a filosofia,
pede crescimento.

Atenção Guri, vai fazer outra coisa, esquece a filosofia! Deixa-a para mais tarde! Esse parece ser o recado até agora? Saindo da antiguidade clássica e passando pelo medievo, nos deparamos com Santo Anselmo (1033-1109), um importante teólogo/filósofo italiano de origem normanda. Na idade média as questões teológicas e filosóficas se interpenetravam. Nas suas obras máximas, Monológio e Proslógio,  Anselmo tenta provar a existência de Deus através da sua teodicéia, ou seja, o esforço de demonstrar racionalmente a existência e as predicações divinas munindo-se apenas da razão, independendo das sagradas escrituras. Partindo do mote de Aristóteles, filósofo já abordado, como alguém que ainda não desenvolveu todas as faculdades chegaria racionalmente a Deus? No Proslógio essa idéia fica clara e nos atesta a necessidade de experiência para voltar-se ao conhecimento divino, que subordina o conhecimento filosófico.


Ó Deus rogo-te que permitas que te conheça, te ame, e possa assim fruir da sua felicidade. E se não posso tê-la plenamente durante esta vida, ao menos consiga avançar, cada dia mais, em direção a ela, de modo a alcançá-la plenamente. Que o conhecimento de ti cresça, durante a minha vida de forma a fazer-se pleno na outra. Que o meu amor para contigo aumente cada vez mais até chegar à plenitude na vida futura e que, aqui, a minha alegria seja tão grande, na esperança, a fim de que possa ser total ali, na realidade.[4] 

Criança é um bicho louco demais.

Amém! Trilhando as veredas da história, a frente de Anselmo, encontra-se o conhecido e polêmico Erasmo de Rotterdam (1469?- 1536). Em uma das suas memoráveis obras, Elogio da Loucura, ele aborda, de forma irreverente e sarcástica, a questão da infância, não expressamente em relação ao estudo da filosofia, entretanto sua fala sugere que jovens possuem um natural ar de “insanidade”. Obviamente que o interlocutor não é diretamente ele, Erasmo, mas a Loucura, a personagem criada para criticar todas as mazelas da sua época. Diz “ela”:

Todos sabem que a infância é a idade mais alegre e agradável. Mas, que é que torna os meninos tão amados? Que é que nos leva a beijá-los, abraçá-los e amá-los com tanta afeição? Ao ver esses pequenos inocentes, até um inimigo se enternece e os socorre. Qual é a causa disso? É a natureza, que, procedendo com sabedoria, deu às crianças um certo ar de loucura, pelo qual elas obtêm a redução dos castigos dos seus educadores e se tornam merecedoras do afeto de quem as tem ao seu cuidado. Ama-se a primeira juventude que se sucede à infância, sente-se prazer em ser-lhe útil, iniciá-la, socorrê-la. Mas, de quem recebe a meninice os seus atrativos? De quem, se não de mim, que lhe concedo a graça de ser amalucada e, por conseguinte, de gozar e de brincar? Quero que me chamem de mentirosa, se não for verdade que os jovens mudam inteiramente de caráter logo que principiam a ficar homens e, orientados pelas lições e pela experiência do mundo, entram na infeliz carreira da sabedoria. Vemos, então, desvanecer-se aos poucos a sua. (...) Que é que, a vosso ver, mais agrada nas crianças? A falta de juízo. Um menino que falasse e agisse como um adulto não seria um pequeno monstro? Pelo menos, não poderíamos deixar de odiá-lo e de ter por ele um certo horror. Há muitos séculos, é trivial o provérbio: Odeio o menino de saber precoce. Quem, por outro lado, poderia fazer negócios ou ter relações com um velho, se este aliasse a uma longa experiência todo o vigor do espírito e a força do discernimento? (...) Enfim, quanto mais entra na velhice, tanto mais se aproxima o homem da infância, a tal ponto que sai deste mundo como as crianças, sem desejar a vida e sem temer a morte.[5]


Sem experiência não dá.

Imaginem! Uma sala de quinta série chega a ser um manicômio, se a Loucura estiver certa. Marchemos. Vamos agora analisar as reflexões de John Locke (1632-1704), famoso empirista inglês. Como é de nossa ciência, nesse pensador, o ser humano é uma, “tabula rasa”, uma “folha de papel em branco” que será “escrita” progressivamente a partir do seu nascimento. Desenvolve-se assim o material que subsidiará o conhecimento futuro. Segundo Locke, o conhecimento deriva da experiência, da vivência, das impressões e do “afetar-se” com o mundo. Um ser humano que ainda não viveu o suficiente não conseguirá, segundo a interpretação que fazemos aqui, desenvolver faculdades filosóficas que requerem certo grau de abstração. Visto rapidamente essas informações, podemos lançar nosso atento olhar sobre o que ele articula no seu Ensaio acerca do Entendimento Humano:

Quem considerar com atenção a situação de uma criança quando vem ao mundo quase não terá razão para supor que ela se encontra com uma abundancia de idéias que constituirão o material de seu futuro conhecimento. Gradualmente, será delas provida; embora as idéias das qualidades obvias e familiares se imprimam antes de a memória começar a fazer um registro do tempo e da ordem. Será freqüentemente, bem mais tarde que certas qualidades incomuns surgem no caminho das crianças, e poucos homens não se lembram de quando se familiarizaram com elas; e se fosse proveitoso, não há duvida que uma criança seria de tal modo ordenada para ter ­apenas algumas das idéias ordinárias ate desenvolver-se num homem. Mas, como todos os seres viventes se encontram envoltos por corpos que perpétua e diversamente os impressionam, surge uma variedade de idéias, levadas ou não em consideração, que se imprimem nas mentes das crianças. Luz e cores estão a disposição em toda parte em que o olho estiver apenas aberto; sons e certas qualidades sensíveis não se omitem de procurar seus próprios sentidos, forçando sua entrada na mente; mesmo assim, penso ser facilmente admitido que, se uma criança fosse mantida num lugar em que quase apenas visse o branco e o preto ate a idade adulta, não teria idéia do vermelho ou do verde, do mesmo modo que quem jamais experimentou o gosto da ostra ou do abacaxi não teria esses gostos determinados.[6]

Sem a faculdade de julgar fica difícil.

Agora vou forçar uma citação. Vamos passar por Immanuel Kant (1724-1804), ilustre influenciador do dito Romantismo alemão e das filosofias idealistas do século XIX. Segundo esse filósofo o homem é a única criatura que precisa ser educada, deve estabelecer por si mesmo o projeto de sua existência e como ele não consegue fazer isso por conta própria e de modo imediato, torna-se necessária a presença de outro, um mentor. Constata-se daí, ainda, o conceito antigo de aluno, do latim alumnu (sem luz). De acordo com pensador não se ensina filosofia, se ensina a filosofar.


Para Kant, um individuo só se pode perceber com o tempo o que afasta expressamente, por exemplo, a imediatez do Cogito Ergo Sum cartesianoA “faculdade de julgar” também se assume com a experiência apesar de muitos conceitos serem imanentes ou, no caso kantiano, a priori, como de certa forma já antecipado em Locke. Os jovens ainda estão em fase de desenvolvimento dessa faculdade de julgar. Não que sejam estúpidos ou idiotas, como diz ele na passagem que se seguirá, mas que ainda devem amadurecer. Ele diz na sua Crítica da Razão Pura (b 173, nota):


A carência de faculdade de julgar é propriamente aquilo que se designa por estupidez e para semelhante enfermidade não há remédio. Uma cabeça obtusa ou limitada, à qual apenas falte o grau conveniente de entendimento e de conceitos que lhe são próprios, pode muito bem estar equipada para o estudo e alcançar mesmo a erudição. Mas, como há ainda, há habitualmente, falha na faculdade de julgar.[7]



Primeiro tenha vindo a si mesmo e seja auto-transparente.
Ai rola.

Passando por Kant e essa avacalhação contra a estupidez, chegamos ao principal mestre da modernidade: Hegel (1770-1831). Temos aqui um notório filósofo do idealismo alemão e principal influência do materialismo dialético proposto por Karl Marx. Para ele a realidade é processo do vir-a-ser e não é dada, mas vem a ser constantemente. Se a realidade está sempre vindo a ser é porque ela nunca o é definitivamente. O desenvolvimento humano obedece organicamente uma fluidez, ou seja, há etapas obrigatórias a serem seguidas para o amadurecimento do homem. Por isso, estudar filosofia enquanto jovem, segundo nossa simples visão momentânea, seria queimar essas etapas de amadurecimento. Vejamos o que ele nos diz no § 26 da sua Fenomenologia do Espírito:

O puro reconhecer-se-a-si­mesmo no absoluto ser-outro, esse éter como tal é o fundamento e o solo da ciência, ou do saber em sua universalidade. O começo da filosofia faz a pressuposição ou exigência de que a consciência se encontre nesse elemento. Mas esse elemento só alcança sua perfeição e transparência pelo movimento de seu vir-a-ser. E a pura espiritualidade como o universal, que tem a modo da imediatez simples. Esse simples, quando termo como tal a existência, é o solo da ciência, [que e] a pensar, a qual só está no espírito. Porque esse elemento, essa imediatez do espírito e, em geral, a substancial do espírito, e a essencialidade transfigurada, a reflexão que e simples ela mesma, a imediatez tal como e para si, o ser que e reflexão sobre si mesmo [...] A ciência, por seu lado, exige da consciêcia-de-si que se tenha elevado a esse éter, para que posso viver nela e por ela; e para que viva. Em contrapartida, o indivíduo tem o direito de exigir que a ciência lhe forneça pelo menos a escada para atingir esse ponto de vista, e que o mostre dentro dele mesmo.[8]


Com os belos sentimentos, faz-se a má filosofia.

Hegel sempre tem essas passagens enigmáticas. Quem estuda filosofia, sempre sofre nesta etapa da história. Mas enfim... Chegando à contemporaneidade nos deparamos com o notório Martin Heidegger (1889 - 1976), discípulo de Edmund Husserl, criador do “método fenomenológico”, principal pensador da contemporaneidade e herdeiro direto do vocabulário fenomenológico reformulado para bem servir à sua Analítica Existencial. Considerado a fonte da maioria das filosofias da existência, tendo a filosofia de Sartre entre as mais “populares”. Se a filosofia se encontra no campo do racional e se os jovens, como propôs Aristóteles, movem-se por emoções e sentimentos, podemos perfeitamente concordar com Heidegger na sua fala contida no seu texto O que é isto – A filosofia?


Depreendemos que se um adolescente ainda não desenvolveu plenamente o que conhecemos por ratio não poderá jamais filosofar e seria deveras violento forçar um jovem que ainda está em processo de desenvolvimento das suas faculdades cognitivas, ou seja, em solidificação da ratio, fazê-lo se esforçar para criar um grau de abstração que ele não conseguirá jamais (e os “super-dotados”?). No mesmo mote de Aristóteles, o qual detecta nos jovens uma axiologia submetida às emoções e aos sentimentos, analisemos um dos mestres do nosso tempo:


‘Com os belos sentimentos faz-se a má literatura’, ‘C’est avec lês beaux sentiments que l’on fait la mauvaise literature’. Esta palavra de André Gide não vale só para a literatura; vale ainda mais para a filosofia. Mesmo os mais belos sentimentos não pertencem a filosofia. Diz-se que os sentimentos são algo de irracional, a filosofia, pelo contrario não é apenas algo racional, mas a própria guardiã da Ratio (...) se aquilo que se apresenta como Ratio foi primeiramente e apenas fixado pela filosofia e na marcha da sua história, então, não é de bom alvitre tratar a priori a filosofia como negócio da Ratio.[9] 


Filosofia no E.M é só um cabide de emprego.

E finalmente, para não deixarmos de lado nossa realidade nacional como é de costume, abordemos rapidamente Olavo de Carvalho (29 de abril de 1947). Pensador brasileiro conhecido por suas posições polemistas e autor do conhecido O Imbecil Coletivo. Acerca da promoção de filosofia para crianças ele diz:


O pior é a moda da filosofia para crianças, um cabide de empregos e um abuso da inocência infantil: a filosofia não é coisa para crianças, como supõe o nosso execrável Ministério da Educação.SS Alquimicamente falando, a filosofia é o enxofre que cristaliza o mercúrio, a mente volátil, para produzir o sal – a alma perfeita. A cristalização prematura é um desastre alquímico, o congelamento da alma. Os professores de filosofia estão ajudando nossas crianças a sufocar suas percepções autênticas sob um discurso pseudo-intelectual de um artificialismo desesperador.[10]


Instigou reflexões nessa cabeça? Discorda de algo? Espero que sim. Você que é aluno do Ensino Médio e leu isso aqui, o que acha? Na próxima postagem abordaremos o outro lado da moeda. Quem é que defende o filosofar infantil? Como? Há fórmulas? Como fazer? De que maneira é possível discordar da posição de Olavo de Carvalho?


Até a próxima.


[1] NIETZSCHE. O livro do filósofo. São Paulo: Editora Escala, 2004. p. 74.
[2] PLATÃO. Diálogos: A República. Ediouro, 1985. p.172.
[3] ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural. 1973. p.250.
[4] ANSELMO, Santo. Proslógio. São Paulo: Abril Cultural (Os Pensadores). 1979. págs, 122-123.
[5] ROTTERDAM, Erasmo de. Elogio da Loucura. São Paulo: Martin Claret, 2001. págs. 22,23 e 24.
[6] LOCKE. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. 160-161.
[7] KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994. p, 178. (b, 173 nota)
[8] HEGEL, G.W.F. Fenomenologia do Espírito. Trad. Paulo Meneses. Petrópolis: Vozes, 2001. p.34.
[9]HEIDEGGER, Martin. Que é isto, a filosofia?: identidade e diferença; tradução de Ernildo Stein. Petrópolis, RJ: Vozes; São Paulo: Livraria Duas Cidades, 2006. pág, 16.
[10] Entrevista de Olavo de Carvalho a Zora Seljan, Jornal de Letras, da Academia Brasileira, julho de 2000. In: http://www.olavodecarvalho.org/textos/timidos.htm  02/10/06 às 09h49min.