terça-feira, 30 de agosto de 2011

Aforismos (26)





domingo, 28 de agosto de 2011

O que é que os gregos fizeram por nós?


Quando se encontra textos e falas de pensadores muito mais preparados e virtuosos do que você "é", a vida ganha mais cor e mais estímulo. Vale muito a pena ler o que tem a dizer Mark Rowlands, pensador galês. O Trecho reproduzido abaixo (completamente incorporado ao meu acervo de Introdução à Filosofia)  foi retirado do livro "Tudo o que sei aprendi com a TV". Boa leitura.

Talvez nem tudo o que sei eu tenha aprendido com a TV — mas uma boa parte, sim. E não é que eu tenha o hábito de ver coisas com pretensões intelectualizadas. Na verdade, minhas pretensões estão longe de ser cerebrais; quando se trata de assistir a alguma coisa, estou mais para o povão. E, como o povão, estou sempre ouvindo os intelectuais dizerem como somos burros e estúpidos. Se pelo menos — dizem eles — pudéssemos ser como os gregos... Não como os gregos de hoje, é claro, que são tão ignorantes quanto nós; mas os gregos antigos.

Eles eram muito mais cultos que nós. Passavam o tempo na praça do mercado — a agora —, discutindo as grandes questões da vida, do universo, e tudo o mais. Nós ficamos dentro de casa, nos cocando e vendo Big Brother. Mas nessa celebração dos antigos e reprovação dos modernos, parece que se esquecem de uma coisa importante. Por que é que os gregos tinham que ir para a praça do mercado e falar de filosofia o tempo todo? A resposta é óbvia: porque eles não tinham TV! Nós não precisamos mais ir até a praça do mercado para filosofar. A TV faz isso por nós, no conforto de nossas próprias casas. A filosofia não morreu em nossa moderna cultura aculturada; foi apenas realocada.

Não pense que isso não tem a ver com você — somos todos filósofos, tendo ou não consciência disso, tendo ou não folheado um livro de filosofia. A filosofia está em toda parte; está em nossa cultura. Salta dos filmes a que assistimos, das revistas e jornais que lemos. E o mais importante, pelo menos em relação a este livro, dos programas de TV que acompanhamos fielmente durante anos. Por causa disso, a filosofia está em nós. Todos nós somos autores, co-autores, produtores, diretores, atores e atores convidados de muitas questões, problemas, debates, combinações e confusões filosóficas — apesar de não termos idéia do que está se passando na maior parte do tempo.

Ser filósofo é fácil, e não temos muita escolha, de qualquer forma. Se você vive a vida e já pensou nela alguma vez, você é um filósofo. Ser um bom filósofo... bem, isso já é uma coisa completamente diferente.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

A xenofobia e o eterno retorno do semelhante: sul-americanos se enfrentam em SP.

A repetição de certos eventos ao nosso redor, evidenciam que o inevitável fenômeno da xenofobia começa a ter uma nova edição; ampliada e atualizada. Os antigos ódios têm o mesmo conteúdo, só observamos a mudança das formas. Depois do atirador norueguês, odiando a esquerda do seu país e querendo a saída dos árabes (Mayara Petruso, no Brasil, odeia a esquerda por causa da presença dos nordestinos em São Paulo. Semelhante, não?), agora podemos constatar que bolivianos, paraguaios e peruanos vivem em enfrentamento em SP. Que questões podem ser levantadas? Não seria o humano, não importa a região do mundo, por excelência, um defensor de territórios? Ou a propriedade despertou o "senhor de engenho" que desde sempre existiu em nós? Existe alguma população no mundo que não tenha demonstrado alguma espécie de comportamento xenofóbico além dos cidadãos da Utopia de Thomas Moore? O Muro de Berlim caiu há um bom tempo, mas por que será que entre a Espanha e o Marrocos existem muros de separação? Por que há uma faixa de arame farpado de 200 km dividindo as Coréias? O que justifica a existência de uma Linha de Controle entre Índia e Paquistão? E o que dizer do Muro da Cisjordânia, ainda em construção por parte de Israel? Pensemos hoje uma necessária discussão futura.


Mais detalhes sobre o caso em São Paulo, aqui.




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Casas Existencialóide – Vendendo verdades pelo menor preço


Vendemos as mais convenientes verdades do mercado. Atenção: só vendemos verdades. Vender a Verdade faz parte do disputadíssimo e perigoso mercado proselitista. Trabalhamos com homeopatia da verossimilhança. Toda verdade é verdadeira, mas não é a única. Não vendemos mentiras; estas saem como amostra grátis.

TROCAS E REPASSES:
Troco uma verdade socrática, duas estóicas e uma platônica por 16 kg de honestidade.

ANTIGUIDADES:
No antiquário ainda restam cinco verdades cristãs e duas islâmicas.

PROMOÇÕES:
Por preço módico, vende-se uma verdade estética kantiana.
Verdades políticas e sociológicas para todos os gostos e interesses.


QUEIMA DE ESTOQUE:
50% de desconto nas verdades psiquiátricas e nas verdades de Schopenhauer.
80% de desconto na seção de Niilismo. Preços tão baixos que são quase NADA.

Fazemos qualquer negócio. Não aceitamos trocas, nem devolução. A não ser que seu argumento seja mais forte.