sábado, 29 de outubro de 2011

Monsenhor Emílio Silva e os Modernos: Pena de Morte já ou Moderação das Penas?

Se o tema da pena de morte lhe interessa, acabo de publicar sobre o tema na Revista Theoria da Faculdade Católica de Pouso Alegre, Minas Gerais. Compartilho aqui com vocês.


O artigo em questão trata de apresentar sucintamente a posição polêmica do pensador brasileiro Emilio Silva acerca da pena capital e opô-la às idéias de três grandes pensadores modernos, são eles: Montesquieu, Rousseau e Beccaria. Se por um lado o padre Emílio tem como idéia central a necessidade de legitimar a pena de morte como um meio eficaz de restaurar a ordem social quebrantada, para os modernos o morticínio não é capaz de afugentar e nem diminuir o ímpeto criminal. Para estes últimos, se verá, é mas eficaz acostumar espíritos a penas fortes e constantes do que desprender muita energia numa só pena que logo será esquecida. Assim podemos, sem o exagero de termos, detectar já na obra dos pensadores do séc. XVIII uma espécie de behaviorismo criminal ou seja, a idéia de que condicionar os costumes criminais é mais eficiente do que estimular a mortandade no estado de direito, o que traria um enorme mal estar.

Palavras-chave: Filosofia do Direito. Pena de morte. Emílio Silva.

Baixe aqui.



segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Schopenhauer ou o Krav Magá das ideias


Você acha que sua vida anda repleta de desgraças? Suas notas estão um lixo? Você moça, está frígida? Você rapaz, broxando ou com ejaculação precoce? Alguma doença venérea? Levou chifre? Você ainda não tem carro e não agüenta mais os ônibus? Não consegue um iPhone? Seu chefe é um canalha? Cartão de crédito e Cheque Especial lhe tiram o sono? Algum professor lhe persegue? Está doente e não pode mais beber? Tem trabalhado 8 horas por dia? Entristece-se vendo gente mentecapta como Filipe Neto fazendo sucesso e você não? Estourou o dedo no meio-fio? Até Deus lhe abandonou? Pois é ilustres, se Nietzsche é o Muaitai das palavras, Kant é a capoeira da argumentação e Heidegger o mestre da esgrima alemã, um simples ataque do Krav Magá das ideias schopenhaurianas pode lhe livrar de qualquer mal. Quer o segredo para diminuir suas próprias desgraças? Simples! Elas são inevitáveis. Procure sempre um desgraçado mais desgraçado do que você... 

Se liga:

Não conheço nada mais absurdo que a maior parte dos sistemas metafísicos, que explicam o mal como uma coisa negativa; só ele, pelo contrário, é positivo, visto que se faz sentir... O bem, a felicidade, a satisfação são negativos, porque não fazem senão suprimir um desejo e terminar um desgosto.

Acrescente-se a isto que em geral achamos as alegrias abaixo da nossa expectativa, ao passo que as dores a excedem grandemente. Se quereis num momento esclarecer-vos a este respeito, e saber se o prazer é superior ao desgosto, ou se apenas se compensam, comparai a impressão do animal que devora outro, com a impressão do que é devorado.

A mais eficaz consolação em toda a desgraça, em todo o sofrimento, é voltar os olhos para aqueles que são ainda mais desgraçados do que nós: este remédio encontra-se ao alcance de todos. Mas que resulta daí para o conjunto? Semelhantes aos carneiros que saltam no prado, enquanto, com o olhar, o carniceiro faz a sua escolha no meio do rebanho, não sabemos, nos nossos dias felizes, que desastre o destino nos prepara precisamente a essa hora — doença, perseguição, ruína, mutilação, cegueira, loucura, etc.



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Heidegger ou a cipoada da esgrima alemã


Então você, professor de filosofia, todo animado com a responsabilidade de ensiná-la a uma série de jovens - e crendo na possibilidade efetiva de tal atividade - leva uma cipoada de um monstro da esgrima alemã. É isso meus amigos... Se Nietzsche é o Muaitai das palavras e Kant é a capoeira da argumentação, não duvide das técnicas de esgrima do filósofo chucrute que você lerá abaixo.  Logo eles, os jovens, tão cheios de abertura às novas informações, tão sensíveis à abstração, tão geralmente preguiçosos e dotados de tão belos sentimentos. Exatamente eles são os menos indicados para estudar a vovó filosofia. Ô seu Reinaldo Azevedo! O senhor bem que poderia utilizar a fala de Heidegger para destruir a secretaria de educação de São Paulo que quer absurdamente mais filosofia nas escolas. Brincadeira... Pega essa promoção:


 ‘Com os belos sentimentos faz-se a má literatura’, ‘C’est avec les beaux sentiments que l’on fait la mauvaise literature’. Esta palavra de André Gide não vale só para a literatura; vale ainda mais para a filosofia. Mesmo os mais belos sentimentos não pertencem à filosofia. Diz-se que os sentimentos são algo de irracional. A filosofia, pelo contrario não é apenas algo racional, mas a própria guardiã da Ratio (...) se aquilo que se apresenta como Ratio foi primeiramente e apenas fixado pela filosofia e na marcha da sua história, então, não é de bom alvitre tratar a priori a filosofia como negócio da Ratio.


Touché!






terça-feira, 4 de outubro de 2011

Kant ou a capoeira da argumentação

Se Nietzsche é o Muaitai das palavras, Kant, sem dúvidas, é a capoeira da argumentação. Se um dia você se questionou sobre a possibilidade de conceber ou demonstrar a existência de Deus através de argumentos racionais, acrescentando-lhe ideias, Kant lhe diria:

O conceito de um Ser supremo é uma ideia útil sob muitos aspectos; mas, justamente por ser uma simples ideia, é incapaz, por si só, de ampliar nosso conhecimento a respeito do que existe [...] Todo o trabalho e o estudo investido no tão famoso argumento ontológico [De Santo Anselmo] da existência de um Ser supremo foram, portanto perdidos; e um homem, por meio de simples ideias, certamente não se enriqueceria de conhecimentos, da mesma forma que um mercador não poderia se enriquecer de dinheiro se, para melhorar a sua própria condição, acrescentasse alguns zeros em seu livro de caixa.

Obs: Essa é uma resposta direta ao filósofo medieval Santo Anselmo. Segundo este, no seu famoso argumento ontológico, é possível deduzir a existência de Deus como consequencia lógica de sua natureza perfeita. Se Deus é um ser perfeito, não lhe pode faltar o atributo da existência, oras!