domingo, 23 de junho de 2013

Brasileiros, mais um esforço se quiserdes ser livres.


Confeccionar juízos sob o domínio das paixões, sobretudo no atual momento, é produzir convicções de curtíssima duração. Mas vamos arriscar. Finalmente, começamos a entrar em modo de estranhamento em relação aos fundamentos pétreos e às verdades oficiais da nossa política. Finalmente, de forma concreta, desejamos ilegitimar e retirar do poder os tradicionais embusteiros. É hora de arrancar as raízes, é o momento de questionar as essências. O título do presente texto é uma paródia de um escrito político do Marquês de Sade. Este deu tudo o que pôde intelectualmente para ajudar a derrubar um regime monárquico em seu país. Tendo visto e vivido o extremo sucesso do 10 de agosto de 1792, clamava prudentemente aos seus compatriotas que era necessário, ainda, um esforço para extirpar os vapores da monarquia que continuavam a infectar os ares franceses. A indecisão popular de como organizar a república, deu espaço para a retomada do poder central na figura de Napoleão em 1804. O que isso tem a ver com o nosso país? Tudo. É hora de derrubarmos a nossa própria Bastilha (sem vandalizá-la?). Temos ainda o recente exemplo das revoluções árabes que estão indubitavelmente mudando o mundo, derrubando os desmandos sufocantes de poderes centrais. A entrega vital daqueles povos deve servir para nós como um arquétipo de busca de liberdade (no sentido mais genuíno da palavra). Ainda que não haja expressamente em marcha uma Primavera Brasileira - para além de pautas específicas (partidárias ou apartidárias) -, há um sentimento geral, que deveria permitir a inclusão de todas as cores e bandeiras, que nos une e que fez uma enorme fração do país tomar as ruas: a vontade de REFORMA POLÍTICA. PEC 33, 37 e 99, transporte público, Feliciano e a cura gay, salário dos vereadores, Renan Calheiros, saúde, segurança e educação. O grito coletivo contra as bizarrices políticas pedem uma e só mudança drástica: REFORMA POLÍTICA



Todos nós sabemos, e o célebre Sócrates já o indicava, que a democracia talvez não seja a mais descomplicada forma de governo. Não se trata de proposições ditatoriais e nem de uma proposta de algum império de poder central. Interessante que esteja no ar uma paranoia de golpe militar. Mais curioso ainda é a criação tardiamente oportunista do PMB (Partido Militar Brasileiro). Platão, sucessor do envenenado, desejava ardentemente a presença de gente capacitada para gerir um regime de poder descentralizado. Qualquer um sabe que nosso pitoresco país nunca foi governado por gente capacitada. Gente capacitada é uma espécie de raça superior? Não. Dizer que alguém é capacitado é dizer que é necessariamente letrado? De maneira alguma. Se assim fosse, o retórico e cretino Fernando Collor teria sido o melhor até então. É hora de pensar como as crianças. Logo, é hora de pensar como filósofos e indagar o óbvio. A luz da obviedade ofusca a compreensão mais profunda da realidade. É hora das questões simplórias. Que estas não sejam respondidas por especialistas em política e estatística. O império da ciência não é a salvação da totalidade do mundo. É hora de questionar os fundamentos! Quem é gente capacitada para governar? Gente capacitada é gente com olhar de progresso e alívio entre os desiguais socialmente. Gente capacitada é a que luta para que não paguemos impostos altos em qualquer bem de consumo, inclusive a água! Gente capacitada não desvia dinheiro de instituições públicas, não escraviza humanos em fazendas, não manda assassinar gente honesta, não desrespeita o meio ambiente, não enriquece com dinheiro público, não paga motéis de luxo para desfrutar de boas prostitutas com o dinheiro do contribuinte, não privilegia banqueiros, preocupa-se em minorar o sofrimento de comunidades carentes, não lava dinheiro em loterias, não utiliza a fé como fator de exploração financeira, não manipula a mídia, não se interessa que a população continue analfabeta. Gente capacitada enxerga a educação como panaceia de cura da burrice induzida. Os que são genuinamente capacitados a governar são aqueles que sofrem ao ver uma criança habitando as ruas e passado fome. Um indivíduo capacitado a governar não é, sob hipótese alguma, acusado de sonegação fiscal, nunca é pego em falsidade ideológica, não nomeia laranjas para acumular riquezas ilícitas, nunca comete apropriação indébita, não se mancha com peculato, não é comparado a nenhum ser vivo parasitário como os sanguessugas, não comete improbidade administrativa, não sofre acusação de crime eleitoral, não compra voto com sacos de feijão e cimento, não declara imposto de renda falso, não comete crime contra a ordem tributária, não empreende crimes contra o consumidor e nunca precisa passar pela inquisição de uma CPI. Essa lista de obscuridades comportamentais é infinita? A prática da corrupção no Brasil será eterna? Ficaremos eternamente passivos diante dessa realidade? O gigante acordou, mas ainda é uma criança. Poderá ficar acordado até tarde? Terá medo dos monstros do armário congressista? Ou vencerá os medos infantis e passará de uma vez por todas à uma adolescência corajosa e livre?